O Nordeste vive uma transformação silenciosa — porém acelerada — em sua matriz de mobilidade. A soma das frotas de veículos híbridos e 100% elétricos já ultrapassa 140 mil unidades, distribuídas entre grandes capitais e centros urbanos médios. O avanço da eletrificação na região, entretanto, vem acompanhado de um alerta claro: a infraestrutura atual de recarga não acompanha o ritmo de crescimento da frota, especialmente no que diz respeito a carregadores rápidos (DC), essenciais para viagens, operação comercial e alta rotatividade.
Segundo dados consolidados de 2024, apenas os veículos híbridos somam 73.928 unidades no Nordeste. Bahia (23,8%), Pernambuco (19,4%) e Ceará (15,5%) lideram o ranking regional, representando juntos quase 60% dessa frota. Entre os elétricos puros (BEVs), o cenário é igualmente concentrado: Recife (3.216), Salvador (3.197) e Fortaleza (2.676) figuram como os maiores polos de adoção, enquanto cidades como Natal, São Luís, Maceió, Teresina e João Pessoa consolidam um segundo bloco de crescimento.
Essa expansão, embora positiva do ponto de vista ambiental e tecnológico, cria um novo desafio para governos, empresas e consumidores: a falta crítica de pontos de recarga rápida (DC).
Em várias capitais nordestinas, o crescimento da frota eletrificada é exponencial, mas a oferta de carregadores DC permanece limitada ou inexistente em corredores estratégicos. A situação é ainda mais sensível em municípios de médio porte, que já registram frotas consideráveis:
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Feira de Santana, BA — 547 elétricos / 1.483 híbridos
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Parnamirim, RN — 603 elétricos / 1.071 híbridos
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Lauro de Freitas, BA — 621 elétricos / 1.381 híbridos
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Barra dos Coqueiros, SE — 169 elétricos / 84 híbridos
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Juazeiro do Norte, CE — 106 elétricos e crescimento constante
Em Sergipe, o caso é emblemático: Aracaju concentra 78% de toda a frota elétrica do estado, mas a disponibilidade de carregadores rápidos é insuficiente para atender ao volume atual, muito menos ao projetado para os próximos anos.
A interiorização dos eletrificados — fenômeno recente — amplia ainda mais a urgência. Municípios como Mossoró, Campina Grande, Imperatriz, Caruaru, Sobral, Itabaiana, Camaçari e Petrolina começam a aparecer com relevância no mapa de eletrificação, porém sem infraestrutura compatível.
Se a curva de adoção continuar no ritmo atual, especialistas projetam um cenário crítico: um gargalo estrutural que pode limitar a expansão dos elétricos no Nordeste já entre 2025 e 2026.
O risco é mais acentuado em três frentes:
1. Rodovias sem cobertura
Corredores estratégicos como BR-101, BR-116, BR-230 e BR-316 ainda possuem longos trechos sem carregamento rápido, dificultando viagens interestaduais.
2. Centros urbanos saturados
Capitais com mais de 1.000 veículos elétricos já apresentam filas em horários de pico em pontos AC, que não são adequados para recargas rápidas.
3. Rede privada insuficiente
Shopping centers, supermercados, condomínios e postos de combustíveis não estão expandindo sua infraestrutura no mesmo ritmo da demanda.
Diante deste novo cenário, a Target EcoMobi acelera sua estratégia de implantação de carregadores rápidos em toda a região. A empresa — que já fechou parcerias no estado Bahia e avança as negociações no estado de Sergipe, com a chegada e instalação de seu primeiro lote de carregadores de 40 kW a 80 kW prevista para o primeiro trimestre de 2026 — se posiciona como principal catalisadora da modernização da infraestrutura de recarga no Nordeste.
O plano inclui:
- Instalação de carregadores DC de 40 kW, 60 kW e 80 kW em capitais e cidades médias.
- Cobertura de rotas estratégicas, especialmente BR-101 e BR-116.
- Infraestrutura modular para expansão conforme demanda.
- Parcerias com hotéis, shoppings, postos de combustíveis e redes varejistas.
- Suporte técnico completo para operação 24/7.
Segundo a direção da empresa, a meta é transformar o Nordeste em referência nacional de infraestrutura de recarga rápida, garantindo segurança, acessibilidade e confiança para quem já adotou — ou pretende adotar — a mobilidade elétrica.
O avanço da frota eletrificada no Nordeste já é uma realidade incontestável. O que falta agora é garantir que essa evolução aconteça de forma sustentável, com estrutura adequada e distribuída.
A ausência de carregadores rápidos não é mais apenas um inconveniente:
É o principal obstáculo para a consolidação da mobilidade elétrica na região.
Com investimentos, planejamento e parcerias estratégicas — como as lideradas pela Target EcoMobi — o Nordeste tem potencial para se tornar o polo mais avançado de eletrificação fora do eixo Sul-Sudeste.
